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Edição 1, jan-abr 2025

JOVENS AUTORES

Afonso Mané


Natural da Guiné-Bissau (Bolama-Bijagó).
Licenciado em Língua Portuguesa, é professor.
Está publicado nas antologias “EscritAfricando 22” e “EscritAfricando 23”.






Criança da minha terra

Nasceu no cume da insularidade,
Aquela criança desnutrida,
Desde o ventre da sua mãe, mas animada pela natureza.

Ela não sabia ler o alfabeto… mas sabia entoar
Canções das aves e o desabar das árvores, das montanhas e
Carícia das ondas do mar sobre a terra.

Era criança quase nua, só usava as roupas rotas
Ou as oferecidas por adultos,
Tinha a vida quentíssima como sol no deserto de Saara,
De pés descalços, desconhecia centro de saúde,
As pirogas e os botes são os seus brinquedos.

Pescava a vida dolorosamente,
Mirando ao infinito do céu e das estrelas,
Vivendo solenemente o seu amor para com a natureza,
Olhando o seu futuro atado no barco sem rota.

 

A minha Deolinda

Foi naquela encruzilhada glorificada,
Que os nossos olhares se cruzaram,
A sua rara beleza encetou a minha argúcia
E o meu corpo estava radiantíssimo.

- Pois, de tantas obras que Deus tem feito,
a sua beleza, para mim, é a mais moderna!

Ouvindo estes versos.
Ela virou-se para mim delicadamente.
Fui junto a ela. As nossas vozes estavam minadas de paixão
E os nossos olhares soltavam o brilho do amor, que habitava em nós.

Ao despontar do sol, trocámos as salivas e abraçámo-nos,
Ela sussurrou-me ao ouvido: - Amo-te!
A minha afeição multiplicou-se…
Fiquei perdido nos abraços mágicos dela e,
Jeitosamente, nasceu o nosso universo intacto.