Guineense de Canchungo, Guiné-Bissau, em 2003. É estudante do 3º ano da licenciatura em Língua Portuguesa na Escola Superior de Educação Tchico Té, em Bissau.
Sempre gostou de livros. Lia contos e via histórias como forma de escapar ao silêncio e à solidão.
Em 2025 criou a página Janialetras, onde passou a divulgar os seus poemas.
Utopia
Anos 2000, utopia velada,
Ignorância que veste máscaras,
Sonhos inalienáveis, perdidos no éter,
Enquanto a realidade jaz ao relento,
E os devaneios se tornam a única chama.
Recusas ecoam no vazio,
Frustrações erguem seus muros,
Acusações lançadas como flechas.
Intentos quiméricos, dissolvidos no ar,
E o transgressor? Sempre o outro,
Enquanto o mártir habita em mim.
Esperança vã, velha cicatriz,
Dicotomias legitimadas por vozes contrárias.
Assume-se o antagonista,
Defensor incansável da própria verdade,
Mesmo quando ela fere e trai.
Hipocrisia e dissimulação dançam juntas,
Pensamentos politizados moldam os dias,
Na busca frenética por aplausos,
Na obsessão por uma anuência fugidia.
Estereótipos cravados no ser,
O mal perene sussurra no tempo.
Ah, se o hoje fosse livre,
Se o agora pudesse ser vivido sem amarras,
Então ergueríamos a voz,
Clamando, sem medo,
Por um presente digno de crença.
Ivania Jass