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Edição 3, set-dez 2025

JOVENS AUTORES

Aured Ross


Nasceu na Conceição, São Tomé, em 1995.

Cristão Evangélico, estuda Direito e trabalha no ramo do comércio – importação e exportação.

Escreve desde os 12 anos, poesia e prosa. É um militante literário e Presidente da Assembleia Geral da AJES (Associação dos Jovens Escritores Santomenses).

Participou na coletânea EscritAfricando 22, da Ser Mais Valia.



Contemplar-te

Os fios largos da lemba-lemba,
Lembram-me os seus negros cabelos,
Amarando-se em minhas lembranças
Como ervas coloridas em florestas tropicais,
Dos fios de missangas, dos laços vermelhos
Os ramos tecem lindos, uns sobre os outros
Assim como os das orquídeas selvagens
E são persuasivas, invasoras, destemidas
Numa relação amorosamente constante.

 

Na margem do silêncio

Na beira do tempo, escrevo calado
Sem o louvor que ecoa nos salões dourados
Escrevo por fome do real, e do imaginado
Com sangue da alma e dedos cansados.

Sou apenas sopro entre rimas dispersas;
Nas linhas que nascem em noites inversas.
Mas sonho, quem sabe, um dia, lembrado
Seja o meu nome pelos versos gravado.

Não busco a glória dos bardos antigos
Nem beijos de negras em véus dourados
Quero o peso da dúvida em meus ombros
E o riso do povo nos versos cantados.

Quero ser o chão, a areia, maré que retorna;
Palavra que acorda e não se adorna,
Que os poetas sorriam e o louco me leia
E que a verdade dance na cara, mesmo feia.

 

A pedra aguda da saudade (desenfreada vida)

Passai-me agora, impetuosas
Saudades tão íntimas da minha cidade
Para que desfaleça eu, aqui furiosa
Na dor desta íntima saudade!

Vinde agora ao meu gozo saudar
As graves lembranças, dolorosas.
Não as temos: Ó bravo mar,
As mortes que trazes para me abraçar!

Quereis vós logo levantar-me
No doce pó da sepultura?
Oh, tende prazer em guiar-me,
Também quero eu beijar a amargura!

Que descanso, finalmente já vos ouço,
Obrigado por me deixarem na minha terra
Do meu braço já tenho repouso
Oh saudade, qu’ em meu olhar se encerra!

 

Auréd Ross