Escritora guineense, residente m Portugal. Tem vindo a afirmar-se como autora de livros infanto-juvenis e de contos, com participação em coletâneas e antologias no espaço da lusofonia. Venceu vários prémios literários.
Ativista literária, integra o EscritAfricando 23.
Foi com profunda honra, alegria e emoção que participei, como escritora, na 1ª Bienal de Arte e Cultura de Bissau. Um momento histórico e necessário para o cenário artístico e cultural da Guiné-Bissau. Estar presente neste evento inaugural, com o meu trabalho literário, foi mais do que uma celebração pessoal.
Num país onde tantas histórias ainda estão por contar, e por reconhecer, a literatura surge como um espaço de resistência, reconstrução e memória.
Durante a Bienal, partilhei experiências fantásticas com as crianças. A receção foi calorosa e reforçou algo que sempre acreditei. A literatura infantil é urgente e necessária, e precisa de mais espaços para florescer.
A escrita tem sido, para mim, um lugar de abrigo e de confronto. A Bienal ofereceu-me também a oportunidade de dialogar com outros/as autores/as, leitores/as, críticos/as e artistas, num ambiente onde a palavra foi tratada com respeito e liberdade.
A 1ª Bienal de Arte e Cultura de Bissau foi um gesto político e poético. Pela primeira vez, a cidade reuniu criadores internacionais de todas as expressões, desde a pintura à música, da dança ao cinema, da escultura à literatura, provando que a cultura não é um ornamento, mas sim uma estrutura que quer ser instrumento de desenvolvimento, de identidade e de autonomia.
Foi inspirador ver tantos talentos, vindos de dentro e de fora do país, reunidos com o único objetivo de afirmar a arte como viva, complexa, contemporânea e cheia de futuro.
Saio desta Bienal com o coração cheio e com ainda mais vontade de continuar a escrever para e com o meu povo. Através da MoacBiss, continuo a trabalhar na interseção entre cultura e transformação social, acreditando que o livro, tal como a oralidade, é também uma forma de semear consciência e pertença.
A Bienal foi só o começo.
Que as nossas palavras nunca se calem.
Kátia Casimiro