Decorreu em Maputo a 22ª. Edição do FITI - Festival Internacional Teatro de Inverno, de 26 de maio a 6 de junho. Participaram mais de 20 grupos, de Moçambique, Portugal, Brasil, RDCongo, Angola, África do Sul. De Portugal, foi o Grupo de Teatro Palha de Abrantes (de Abrantes) com a peça Quotidiamo – Esta não é uma história de amor, escrita por quatro autores diferentes de língua portuguesa: o português Rui Zink, o angolano José Mena Abrantes, o cabo-verdiano Abraão Vicente e o brasileiro Ivam Cabral.
Pedimos a Maria Fonseca, presidente do Grupo e atriz da peça, e a Helena Bandos, angolana de Cabinda mas residente em Abrantes desde 1966, fundadora deste Grupo em 1998 e encenadora da peça que foi a Maputo, algumas palavras a propósito.
Maria Fonseca
Em maio do ano corrente estive uns dias em Maputo para participar na 22ª edição do FITI (Festival Internacional de Teatro de Inverno). O Grupo de Teatro Palha de Abrantes, do qual faço parte, foi um dos grupos selecionados para apresentar uma das suas peças no festival.
Foi um festival que juntou Moçambique, Angola, África do Sul, República Democrática do Congo, Portugal e Brasil.
Foram poucos dias, mas foram dias ricos em aprendizagem. Novas formas de fazer teatro e de expressar as emoções.
O inverno em Moçambique sabe a primavera, os moçambicanos sabem a família e a arte encontra-se em cada corpo.
O acolhimento foi maravilhoso. Senti-me em casa, senti-me em família e fiquei triste na hora de voltar para Portugal.
Trouxe um pouco de Moçambique comigo e espero ter deixado um pouco de mim lá.
O convite para voltar foi feito e tenho a certeza que voltarei.
É um ATÉ JÁ!
Maria Helena Bandos
A viagem foi muito cansativa, pois fizemos escala em Luanda. Mas lá foi muito interessante. Especialmente o contacto com os atores moçambicanos e com o povo de Moçambique. São muito simpáticos, nem parece que vivem com dificuldades. Uma coisa que me impressionou foi a alegria deles de viver. E o amor ao teatro. Eles representam extraordinariamente bem, é uma coisa impressionante. Têm atores fantásticos, com trabalhos baseados no seu dia a dia. Por exemplo, uma peça de que gostei muito: um monólogo de uma atriz que levou a vida dela para o teatro. A mãe dela quer que ela se case, mas ela não se quer casar. “Mas já tens trinta e cinco anos, tens de te casar, tens de ter filhos.” Tudo o que vai decorrer dali é muito interessante. Esperamos poder vê-la cá em setembro. Fomos muito, muito bem recebidos. Com uma organização impecável.
O FITI, na palavra dos seus responsáveis:
O que começou como um sonho corajoso se tornou uma força viva, um catalisador para o crescimento, aprendizagem, troca, oportunidade e contribuição destemida para o sector criativo.
Por mais de duas décadas, acendemos vozes, moldamos artistas, desafiamos o silêncio e realizamos um trabalho enraizado na verdade e na memória colectiva.
Com sacrifício, fé e resistência, a Associação Cultural Girassol têm construído, através do FITI, um legado de impacto e excelência.